Mostrando postagens com marcador O eu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O eu. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ao meu comando, baionetas!

(ou Calçando as Botas & Apertando os Cadarços)

A mudança. A tão esperada mudança. Talvez, aquela que trará a solução para todos os problemas. Aguardada ansiosamente. Sem preocupações tampouco questionamentos éticos. Somente a ansiedade infanto-juvenil de viver tempos de paz após longos e tenebrosos invernos infernais. A mudança que fará com que todas as tristezas sejam deixadas para trás. Todos conhecemos esta mudança, mas em raras oportunidades a analisamos. Esta é a mudança do próximo.

[Iced Earth: "Angels Holocaust"]

A mudança no outro diminui nosso problema. A alteração do ser e/ou parecer alheio refrigera a ardência em nossos olhos. E tão natural é esperar pelo bom senso daqueles que seguem por caminhos que ferem a outrem; esperar que eles tenham a consciência de se corrigirem, redimirem-se e tornar nossas vidas menos caóticas, que simplesmente nos esquecemos que estes terceiros podem acreditar estarem certos. E como a mudança é uma porta que só pode ser aberta pelo lado de dentro, permanecemos seguindo por caminhos de pedras, descendo em nossos tobogãs de lâminas, sem perspectiva.

[Jon Schaffer: "Stormrider"]

Frente a tamanho adversário (fugimos? Definitivamente não!), apresenta-se o exército. O Exército de um homem só (no difícil exercício de viver em paz). Esmorecemos, por vezes trememos ao sentir a fraqueza indo embora de nossos corpos, mas cada gota de suor derramada hoje é uma gota a menos de sangue a ser derramado amanhã.

[Immortal: "Battles in the North"]

Deixem que o público entre.
Deixem que a minha ópera comece. 

sábado, 27 de agosto de 2011

Coma

A escrita. Ou melhor, neste caso, “a escrita sobre (no sentido de ‘a respeito de’) a escrita”. Agradaria-me absurdos que esta me fosse fluída, natural, sem preciosismos que somente refletem muita absorção de conteúdo inútil, pouca capacidade de expressão e nenhum preparo para a comunicação no mundo que ultrapassa as barreiras de meus livros alemães e canções eslovenas. Mas não é. Ela é travada, qual “um burro quando empaca no trigo”, e simples expressões de fúria, revolta e indignação, revestidas por ares de discurso em palanque, que outrora se faziam presentes tão simplesmente através do “sentar e escrever”, hoje não encontram saídas tão óbvias e simples. Paro. Pergunto: Por quê?

Confesso a mim mesmo meu mergulho inconseqüente nos exageros e abusos, buscando algo que morreu. Buscando algo que tenha vida. Ou talvez (não sou o senhor da verdade, sequer da minha própria verdade, caso esta exista), buscando a própria vida. Não sei se a possuía e perdi; não sei se nunca a tive e agora, ela se faz presente de forma incrivelmente decepcionante; ou pior: Não sei se a beleza e a inspiração que sempre tive em minhas formas de expressão são reflexos da ausência de vida. Caso este terceiro seja verdadeiro, é “passado o ponto onde não há mais retorno (nem segundas-chances)” e resta levar Christine ao calabouço, fazendo-a escolher entre ele e eu. Resta o “segredo do anjo do inferno”. E há inúmeros maestros com suas belas canções, sem significado algum, para acalentar ouvidos delicados. Não tenho talento para isso.

Por tal razão, como quem sofre de um tumor na área do cérebro responsável pela expressão, uma Síndrome de Down alterada para novos candidatos a overdoses de morfina e dopamina, declara-se coma induzido, até que reflexos sejam sentidos e até que o sangue flua normalmente pelas artérias.

Creio ser mais uma despedida.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A Explosão

(ou "It's better to burn out than to fade away" - Neil Young)

[Chandeen: "Dawn"]

A explosão. Algo que, subitamente, cresce de maneira em geral inesperada, em velocidade maior que a supostamente coerente e, geralmente, causa estragos (a não ser que o assunto seja o milho que explode e se transforma em pipoca). As explosões, tão apreciadas pelos roteiristas de Holy Wood, possuem lá seu valor. Elas têm sua importância. O que seria das grandes empreiteiras sem elas? Empresas de demolição, então?? Terroristas??? Homens-bomba???? De fato, um mundo sem explosões é, de certa forma, impensável. Mas, e quanto ao ser humano normal-cotidiano-do-dia-a-dia-diário-e-semanal? Qual é a importância da explosão na vida deste ser?

[Madeleine Peyroux: "River of Tears"]

Certa vez me foi dito que as coisas somente atingem o auge de sua importância quando não estão mais entre nós [descanse em paz, meu querido cão], então, creio ser mais fácil compreender a real dimensão da explosão na vida analisando uma que não a possua. Sim, uma vida sem explosões.

[Racionais MC's: "Diário de um Detento"]

Na construção civil, as explosões geralmente eliminam prédios defeituosos e empreendimentos que não deveriam estar onde estão. No ser humano, é semelhante. Sentimentos distorcidos, propensões a cânceres, rancores, mágoas e dores em geral são expurgadas através da explosão. Sim, o ataque de fúria. A irracionalidade. O descontrole. Enfim, a explosão. Esta vem naturalmente acompanhada de alterações na voz, na expressão facial, no ritmo cardíaco, e costuma ser sucedida por lágrimas copiosas, que conforme Júlio Cortázar, vêm acompanhadas de muco ("este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente"¹). Sem esta nauseante, todavia assaz natural seqüência à qual todos estamos sujeitos, advém a dor. Não há explosão. Advém a mágoa. Não há explosão. Advém o câncer.

[Laibach: "Drzava"]

Todos os terrores que poderiam ter ferido inocentes são contidos. Não há explosão. Nenhuma pedra desaba. O corpo padece, o cérebro implora pela alforria do controle absoluto, mas a disciplina mantém a coluna reta, as botas brilhando, a farda engomada e a explosão silenciada. Não há explosão. Em nome da... Em nome do quê mesmo??? Ah, sim, do altruísmo, da bondade e da resiliência. As vidas ao redor continuam, inabaladas por aquela explosão que não ocorreu. Não há explosão. Mas o que não explode, implode. E mesmo novos prédios caem. Não há explosão. Haverão, ao acaso, balas de canhão em honra da vida que não explodiu, mas desapareceu aos poucos? Não há explosão. A vida que desaparece aos poucos é como o membro lentamente corroído pelo verme, pela chaga, pelo tumor; a pele lentamente dominada pelo vitiligo. Somente quem a vê todos os dias se dá conta de seu desaparecimento. Somente quem tem os pratos da balança pendendo cada vez mais para o lado da leveza, enquanto o algoz ganha quilos de gordura com seus mantimentos, sabe e reconhece a violência do verme devorador... E a necessidade da explosão do expurgo. Mas não há explosão.

[Einstürzende Neubauten: "Die Explosion im Feistpielhaus"]

Aber es gibt keine Explosion.
___________________________________________________________________

¹CORTÁZAR, Júlio in Histórias de Cronópios e de Famas.

___________________________________________________________________
Em virtude de minha pouca paciência e tempo, associadas à má vontade do Blogger, as próximas postagens não terão a tradicional formatação. Agradeço a compreensão.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Memento Mori

(ou Quando Mesmo os Sorrisos Machucam)

[Milionário & José Rico: "Sonho de um Caminhoneiro"]

Ele abre a boca, mas as palavras não vêm. Elas permanecem. Permanecem dentro dele, criando um vórtice, aquela úlcera aguda, esta espiral mortal que gera desespero a mais ninguém a não ser o próprio. E ele segue. Segue desta forma, caminhando pelo caminho dos bons e dos corretos, pois a dor de ferir a outrem pode ser mais insuportável. Se suportara a de ser o pária por tantas vezes, porque não poderia ser esta a cruz à qual o Senhor Seu Deus lhe houvera designado? Não há cruz mais pesada do que o que podemos suportar. Assim é. Assim sempre foi. Assim.

[Sigur Rós: "Hafsól"]

Mas o que poderia acontecer se a boca se abrisse e os feixes, tiros, palavras ou sabe-se-lá-o-quê, atingissem às pessoas deliberadamente, não importando nome, parentesco ou suposta participação especial na novela de sua vida? Seria o início do fim? A descaracterização, talvez? A destruição, quem sabe? Só Deus sabe. Só Deus sabe? Infelizmente, a relação de ambos não era das melhores, e mais infelizmente, Deus paradoxalmente não havia lhe dado muita fé. Então, desprezando as tradições, abandonando as crenças, seguindo um controlável, mas não desejável, desejo iconoclasta... A boca se abre e as cruzes se quebram. Que haja misericórdia...

[Chandeen: "Love at First Sight"]

Verdades, dolorosas verdades, vêm à tona. Faces mais tenebrosas que as presentes nos piores pesadelos passam a ilustrar o semblante daqueles que por tantas vezes pareceram simples títeres do Senhor do Escárnio. E, pela primeira vez, ele sente ódio, e não se sente mal por isso. É orgânico. Verdadeiro. Arremessa a cruz que sempre carregou com tanto pesar e esmaga o crânio do primeiro inocente que lhe cruza o caminho. Inocente? Há inocentes? Ele se lembra que todo ser humano nasce manchado pelo pecado original de Eva & Adão; e se lembra que isso é o que dizem os que seguem a Moisés, Abraão & Jacó; e se lembra que a coerência é um grilhão - mais um - a ser quebrado. E o quebra! Graças a Deus!


[Sari Ska Band: "Emo"]

A dor permanece. Talvez, seja a dor da exposição ao sol, citada por Platão em sua historinha da caverna. Quem sabe, seja a falta de costume de caminhar sem os grilhões originais. Talvez, seja o peso de caminhar sozinho, visto que cruzes, por maiores e mais pesadas que possam ser, de certa forma, bancam as companheiras por vezes. Talvez seja o fardo que poucos ousam carregar. O de ser quem se é.

[Seán Ó Riada: "Ghaoth Aneas"]

Memento mori...
Se quiseres manter tua dor, porém, de forma autêntica.
___________________________________________________________________
O trabalho tem me impedido de postar e comentar em seus blogs com maior regularidade. Peço perdão e espero que saibam que admiro muito os que aqui estão linkados. Sorrisos no coração de todos!!!

domingo, 7 de novembro de 2010

Querido Diário

(ou Arrogância, Onipotência e Mediocridade em 1998)


[Tristania: "My Lost Lenore"]

Querido diário, hoje eu vi uma menina... ai, tão bonita! Ela usava óculos e uma blusa preta, com uma faixa amarela e outra vermelha! Eu adoro essas cores! Ela parecia bem inteligente, e eu adoro meninas inteligentes! Eu acho que elas são diferentes das outras meninas que só querem ser cópias umas das outras... Ai, eu acho isso tudo tão sem graça, sabe? Aí, eu respirei fundo e fui conversar com ela! =) Mas ela era igual às outras meninas... =( (minha mãe deitou na cama agora, do lado da janela. O sol bateu na camiseta amarela dela e agora a casa tá toda amarela! Uma vez eu falei disso, sabe, esses negócios de ótica, pro meu pai, mas acho que ele não se interessou muito...).

[Sigur Rós: "Hafssól"]

Ai, então, eu tava falando da menina, né? Então, ela também queria ser igual a todas aquelas outras que só falam besteira, tiram sarro de todo mundo na escola, se acham as mais bonitas e são populares com todos os caras idiotas. Ela só não conseguia. Eu não entendo como uma pessoa pode ter tudo pra ser legal e ainda assim querer ser medíocre (uma vez, usei essa palavra, junto com "olor" em uma redação. A professora escreveu que estava errado. Ai, eu fiquei com tanta raiva dela! Como ela pode ser professora de português e não saber o que é "olor". Só porque eu não tenho curso superior que nem ela, eu tenho que ser burro??? Eu tenho que ser "beócio"??? Na próxima redação, vou usar "verossimilhança", e quero ver a professora falar que essa palavra não existe!!!).

[Orquestra Brasileira de Música Jamaicana: "Ska Around the Nation"]

Eu acho que sei porque ela quer ser que nem as outras meninas. Elas estão sempre rindo, mesmo que seja de alguém. Que nem os caras que nem sabem a diferença entre física, química e biologia, eles estão sempre rindo, porque acham tudo engraçado. Desrespeitam os idosos, mentem, são preconceituosos e machistas, e acham tudo legal. O mais incrível é que até as meninas acham isso legal. Eu não entendo! Juro! Mas tudo bem, que os medíocres se juntem, sejam mediocremente felizes e tenham vários mediocrezinhos para povoar mediocremente o mundo. Quando eu falei isso para a professora de educação física (ela veio me perguntar por que eu não jogava com os outros na aula e eu disse que eles me davam nojo), ela disse que eu me achava "onipotente". Antes eu me achar onipotente que ela ser "omni-estúpida", né? Mas, onipotente ou não, eu fiquei triste pela menina. Será que vai ser assim com todas? Elas com os "pequenos-homens", enquanto eu permaneço eternamente o "grande-menino"?

[Lacrimosa: "Schuld und Sühne"]

Perguntei pro meu pai sobre essa história de "homem crescido", e ele mandou eu "parar de frescura". Acho que esse deve ser o primeiro passo para ser "homem crescido"; parar de frescura. Cada vez mais eu vejo que o "mundo" é formado por gente repugnante. Eu acho que, se tem tanta gente que eu não gosto, o problema deve ser comigo. Mas se, para que as pessoas gostem de mim, para ser simpático e popular, eu precise ser um beócio que nem os que estão ao meu redor o tempo todo, eu prefiro ser o chato, arrogante, esquisito, aberração e "onipotente".

[Ordo Rosarius Equilibrio: "Harvesting the Crop, the Chaste Veredict of Negligence"]

Tá tarde. Tenho alguns capítulos de Reis para ler. Tá acabando!!! Boa noite!!!

[Lacrimosa: "Copycat (Extended Version)"]

Diário de guerra de Allan Mor.

___________________________________________________________________
Retirado de um antigo diário e postado a título de reflexão. A assinatura usada é referência à minha primeira banda falida, Mor T.L.S., cujo nome não representa absolutamente nada
.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Venero-te. Renego-te.

(ou "O mistério do amor é maior que o mistério da morte." - Oscar Wilde)

“Eu posso ver claramente agora – uma visão, de fato, dolorosa.”
Iced Earth: “The Prophecy

[L'Homme Revolte]


O mundo fala a respeito dele. Ocorre desde tempos imemoriais sua banalização, embora eu não saiba se, em algum momento da História ele teve a importância e o tratamento “corretos” (se é que isso existe). As infinitas e incorrigíveis tentativas de universalização do pensamento, sentimento e do ser costumam tomá-lo como a verdade absoluta. Ele é o clichê mais tradicional já criado, o que me leva a ponderar acerca de seu aparecimento entre minhas palavras, geralmente carregadas de uma agressividade que me é cara. Mas se a quebra de paradigmas se torna uma necessidade da qual não se pode fugir, paradoxalmente, essa quebra se torna outro paradigma. Logo, que se quebre o paradigma paradoxal. E que, contra qualquer expectativa de quem acompanha minhas palavras, parafraseie eu o “Excelentíssimo Síndico” Sebastião Rodrigues Maia: “Vamos falar de amor.

[Le Chatiment du Traitre]

O amor me é sagrado. Beatifico, canonizo e deifico-o. Tal divindade, por sua divindade, é envolta em perfeição. Eis o início de todos os problemas. Qual seria a taxa de mortalidade de um amor perfeito em humanos imperfeitos? É difícil imaginar, de forma racional, a perfeição. Somente quando arrebatados pela insânia patológica tal idéia (acompanhada por outro ser mantenedor de tal patologia) parece fazer algum sentido. E como não há verdade na universalização (é verdade, juro), eu me limito à análise, somente.

[L'Assassin]

“Você acredita em amor? Você acredita em destino? O amor verdadeiro só pode vir uma vez em mil vidas. Eu já amei. Tomaram-na de mim. Rezei por sua alma. Rezei por sua paz.” – Drácula de Bram Stoker me leva a crer n’um amor próximo deste que tenho por sacro. Tão sacro que parece se manchar com as imperfeições da humanidade. Mantenhamo-lo nós livre, portanto, deste claustro da carne e suas impurezas que tanto nos divertem. Por que não? Por que crer (a pergunta sem resposta daquele que paradoxalmente tem como maior crença a “não-crença”) em sua associação com raiva, ciúmes, posse, dor e outros sentimentos, sensações e reflexos do lobo temporal tão possivelmente desagradáveis? Por que não simplesmente admirá-lo como o pássaro livre de nossas culpas (nossas tão grandes culpas)? Parece existir a necessidade novamente patológica de tomá-lo entre nossos braços, olhos, coxas e sentidos, para que quando ele finalmente morrer, haja provas de sua vida (algo próximo do que Guimarães Rosa falou). O saber e o sentir não são suficientes? Há de fato o dever para com a prova? O barbudo da Galiléia tentou explicar sobre isso, se não me falha a memória (faz algum tempo que não visito aquelas bandas), mas infelizmente parece ter falhado.

[Les Deracines]

Neste ponto, caro leitor, deves pensar que mais uma vez, como já lhe deve ser comum, a arrogância tenha me tomado de assalto. Não te culpo por pensar assim. Não sou muito bom em transmitir o que penso de forma simples, por meu pensar não me ser simples. Todavia, se crês que me relativizo à perfeição deste amor que sacralizo, erras. Sou tão imundo quanto o resto da humanidade, e com ela devo ser destruído se, algum dia, esta divindade de fato exercer seu poder e dominar este mundo. Este “Amor-Perfeito”.

[Le Vertige du Vide]

Porém, esta é a visão do amor perfeito. O amor sagrado. O amor que vagueia pelas minhas idéias e já visitou meus outros sentimentos. O amor que morreu no abismo entre o coração e a mente. E, deste amor, mantenho a distância sagrada, referente ao respeito entre o fiel e seu deus. Ele não mais me toca (ou eu não mais creio na ilusão de seu toque), e a minha busca por perfeição tomou rumos diferentes da dele. Talvez porque se “há tantos loucos com tantas verdades”, deve haver uma verdade que me sirva. Uma verdade diferente desta sacralização cega. Uma verdade cheia de imperfeições que me façam mais rir que chorar.

[Les Exigences de la Foi]

Ou,
se em improvável desespero,
talvez uma mentira.

____________________________________________________________________

Escrito há muito tempo, e re-editado o som de Nos Chants Perdus, álbum de 2010 da banda luxemburguesa Rome.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Seqüência do Pecado

O fato é simples. Havia um texto sensacional aqui, com o título acima. Doloroso e pungente. E a arrogância, de fato, me toma ao avaliá-lo. Todavia, o Blogger me odeia e esta é a quarta ou quinta criação que simplesmente DESAPARECE. Sim, os textos têm desaparecido sem deixar vestígio algum em área de transferência, rascunhos ou qualquer outro local da rede. Então, declaro que somente voltarei com minhas infrutíferas tentativas de postagem quando meu computador estiver em boas condições. Agradeço às visitas (Day, Dita, Jaya, Naná, Manda, Pri, Marcão, Mi, Lucas e quem talvez tenha visitado este Hzeronove, mas não tenha se identificado) e espero ansiosamente pela boa vontade deste servidor que esgotou as últimas gotas de minha consideravelmente grande paciência.
Até o retorno.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Eu aprendo

(ou Reflexo de Não-Mais Escondidas Cicatrizes)

[Ana Carolina: "Vox Populi"]

Eu aprendo que a matemática que leva o ser humano a ter olhos e ouvidos em pares, enquanto a boca vem em carreira-solo, faz muito sentido no que diz respeito à freqüência no uso de tais extensões da anatomia.

[Ozzy Osbourne: "I Don't Know"]

Eu aprendo que o conhecimento é bom. E se souber se disfarçar em ignorância e estupidez, ele pode ser melhor ainda.

[Death: "The Philosopher"]

Eu aprendo que sabedoria sabe ser sacana, e se amplia enquanto se diminui (ou vice versa). E, se sábio, eu saberia, sigilosa e saudosamente, “ser isso socrático”.

[Laibach: "Jesus Christ Superstar"]

Eu aprendo que santos não são representações da Divindade, mas exemplos da possibilidade de alcançá-la preso à condição humana. E também aprendo que quem definiu, dentro de tal contexto, o que me é divino, bom ou mau não fui eu, e por esta razão, não desejo para mim tal santidade. Aprendo que isso pode fazer de mim um herege perante olhos que desejam tal glória, mas se os detentores destes trouxerem à minha presença um sorriso franco em vez de pedras e palavras duras, não hesitarei em abraçá-los com um sorriso igualmente verdadeiro.

[Iced Earth: "Harbinger of Fate"]

Eu aprendo que, muitas vezes, palavras duras são o melhor alento que alguém que se perdeu em labirintos formados pela condescendência excessiva pode receber. Mesmo que esse alguém seja eu.

[Rome: "Wir Moorsoldaten"]

Eu aprendo que a liberdade se faz presente quando o quinto parágrafo de um texto nega o quarto, e eu não me importo com isso a ponto de reescrevê-los, alterando sentimentos e pensamentos em prol da semântica, gramática ou concordância verbal/nominal/lógica.

[Red Hot Chili Peppers: "Under the Bridge"]

Eu aprendo que, por pior que Josef Stálin ou qualquer outro russo (ou russa) tenha sido, ler Dostoievski e ouvir Tchaikovsky não me aproxima negativamente de tais personalidades.

[Maria Rita: "Dos Gardenias"]

Eu aprendo que identificação estética é algo que passa a anos-luz de distância de identificação ideológica. E também aprendo que 85% da população ignora em absoluto este fato, e mataria por tal equívoco.

[Comando Blindado: "Volta CCC"]

Eu aprendo que o ódio que existe no indivíduo desde a mais tenra idade, e que é culturalmente alimentado, pode se dissipar no momento em que uma pessoa de sangue libanês brinda sua Heineken com uma pessoa de sangue judeu. E ambos sorriem, sem se importar com o que seus consangüíneos fazem no Oriente Médio.

[this Mortal coil: "My Father"]

Eu aprendo que liberdade é afirmar odiar Shakespeare e criar um texto com base em sua obra.

[Lacrimosa: "Stolzes Herz (Piano Version)"]

Eu aprendo que há ritmos de vida diferentes, e que o fato de eu respeitar o ritmo alheio nem sempre levará as pessoas a respeitar o meu. Mas ainda assim, eu poderei ser arrogante e dizer que tentei e estava com a razão.

[Type O Negative: "My Girlfriend's Girlfriend"]

Eu aprendo que dizer a verdade não é algo tão simples para muitas pessoas. E elas que aprendam, afinal, eu não posso aprender todas as verdades do universo, e tenho (dentro de meu egoísmo legitimado por mim mesmo) o pleno direito de me enfurecer com a mentira e as tentativas (geralmente infrutíferas) de me ludibriar. Aprendo que isso pode não ser de fato amor-próprio, porém, é parte de mim e me é de direito desejar manter tal aspecto de minha personalidade.

[Diamanda Galás: "Je Rame"]

Eu aprendo que a perfeição é desagradável, e que há defeitos extremamente divertidos. Muitas vezes, a amoralidade é um deles. Não aprendi ainda se a amoralidade é de fato um defeito ou a ausência deles. Mas, como dito anteriormente, não posso aprender todas as verdades do universo.

[Corpus Delicti: "Atmosphere (Joy Division Cover)"]

Eu aprendo que gosto de aprender, às vezes mais sobre Calvinismo, psicanálise e gardênias; às vezes mais sobre hotelaria e magia branca; às vezes mais sobre rugby e a cena alternativa de Seattle nos anos 90, e às vezes mais sobre cervejas belgas, música irlandesa e culinária Kosher. Mas estou sempre aprendendo (comentário realizado com o intuito de terminar o texto cinicamente, de forma infantil, inocente e com "síndrome de senso-comum". E seguindo tal tendência mainstream blogger...).

[The Doors: "The End"]

E você, aprende ou estagna?

quinta-feira, 11 de março de 2010

Trompetes e Saxofones Misantropos de Miles Davis & John Coltrane

(ou Um Breve Ensaio sobre a Misantropia)

[Ana Carolina: "Hoje Eu Tô Sozinha"]
Como suponho que o título revele, este texto não traz grandes floreios sobre as responsabilidades sociais, tampouco discorre a respeito dos problemas do mundo. Trata-se de uma disgressão acerca do eu. O ego, mais seu centro que suas periferias; o egocentrismo e a misantropia (Em tempo - Misantropia: s.f. Horror à criatura humana; aversão à sociedade.).

[Madeleine Peyroux: "Careless Love"]

O fato é que há muito de nós que não nos é inato (percebe, caro leitor, a tendência ao social? Acabo de afirmar que o texto trata do "eu" e engendro, logo de cara, um "nós" em meio às linhas pseudo-misantropas. Mas tem paciência, rogo-te). Quanto não nos é adicionado ao longo de repetidas mentiras e atrasados conceitos, deliberadamente jogados perante nossos olhos, derramados em nossos ouvidos e empurrados glote, epiglote & traquéia abaixo? Todavia, mais preocupante é: Quanto disso não nos é absorvido por vontade própria, e assimilado ao que costumamos corriqueiramente chamar de "eu"?

[sigur rós: "Milanó"]

Pode-se dizer, então, que a partir do momento que este processo se dá com uma parcela considerável de humanos que compartilham de um mesmo território e, teoricamente, de uma mesma cultura, surge algo como uma "consciência coletiva do que é certo, errado, censurável e passível de morte por fuzilamento". A isso se convencionou chamar "Ética" (substantivo). E, a tudo que foge a tais padrões, "Anti-ético" (adjetivo).

[Marilyn Manson: "Coma White"]

O EGOÍSMO É ANTI-ÉTICO.

[300,000 Verschiedene Krawalle: "Transcendental Storm"]

Mas o sacrifício, o martírio, a pobreza e o sofrimento são eticamente louváveis. Acredito ser um contra-senso perguntar a razão de um por quê coletivo em um texto abertamente voltado ao âmbito do indivíduo (mesmo já tendo apelado a termos como "humanos", "compartilhar", "coletiva" dentre outros, mas anteriormente roguei-te paciência, caro leitor), então, que haja, enfim, um direcionamento para tantos rodeios acerca das coletividades individuais ou individualidades coletivas dessa famigerada ética e de sua relação com o egoísmo.

[Laibach: "God is God"]

O fato é que, abandonando qualquer senso de justiça, moral, ética ou conceito social, abraço (sim, eu, H.) afetuosamente a mais eticamente execrável das vicissitudes: do amor ao próximo para o horror social. Da benevolência à crueldade sádica. Da devoção ao desprezo. Do perdão ao esquecimento. Ou (creio ser esta a mais perfeitamente clara descrição) do outro para o eu. Em outros tempos, explicar-me-ia a respeito de razões ou justificativas para tal, mas hoje, não me é necessário. Minha vontade e minha consciência me guiam por onde quer que eu me atreva a pisar, e desta forma, torno-me mais uma vez senhor de meu destino e ações. "Nada permanece.
Nada me prende aqui." - já dizia Tilo Wolff. E toda a supracitada exposição sobre os conceitos sociais, a ética e todo o enfadonho deste ensaio nada mais foi que um pano de fundo, uma cozinha de jazz, com o piano, a bateria e o contrabaixo sociais; para que Miles Davis & John Coltrane pudessem solar seus trompetes e saxofones misantropos.

[Laibach: "Krst Pod Triglavom"]

Correto? Impetuoso? Belo? Reprovável? Talvez, mas quem julga? Mary Shelley apesentou o criador que vira as costas para a criatura. Quem é o monstro e quem é a vítima? Mas, mais importante que isso é: Se és o monstro, a quem deve tu pedir perdão? Deve tu pedir perdão?

[Vomito Negro: "Escape"]

Não. Não mais.