terça-feira, 2 de abril de 2013
Ao meu comando, baionetas!
sábado, 27 de agosto de 2011
Coma
A escrita. Ou melhor, neste caso, “a escrita sobre (no sentido de ‘a respeito de’) a escrita”. Agradaria-me absurdos que esta me fosse fluída, natural, sem preciosismos que somente refletem muita absorção de conteúdo inútil, pouca capacidade de expressão e nenhum preparo para a comunicação no mundo que ultrapassa as barreiras de meus livros alemães e canções eslovenas. Mas não é. Ela é travada, qual “um burro quando empaca no trigo”, e simples expressões de fúria, revolta e indignação, revestidas por ares de discurso em palanque, que outrora se faziam presentes tão simplesmente através do “sentar e escrever”, hoje não encontram saídas tão óbvias e simples. Paro. Pergunto: Por quê?
Confesso a mim mesmo meu mergulho inconseqüente nos exageros e abusos, buscando algo que morreu. Buscando algo que tenha vida. Ou talvez (não sou o senhor da verdade, sequer da minha própria verdade, caso esta exista), buscando a própria vida. Não sei se a possuía e perdi; não sei se nunca a tive e agora, ela se faz presente de forma incrivelmente decepcionante; ou pior: Não sei se a beleza e a inspiração que sempre tive em minhas formas de expressão são reflexos da ausência de vida. Caso este terceiro seja verdadeiro, é “passado o ponto onde não há mais retorno (nem segundas-chances)” e resta levar Christine ao calabouço, fazendo-a escolher entre ele e eu. Resta o “segredo do anjo do inferno”. E há inúmeros maestros com suas belas canções, sem significado algum, para acalentar ouvidos delicados. Não tenho talento para isso.
Por tal razão, como quem sofre de um tumor na área do cérebro responsável pela expressão, uma Síndrome de Down alterada para novos candidatos a overdoses de morfina e dopamina, declara-se coma induzido, até que reflexos sejam sentidos e até que o sangue flua normalmente pelas artérias.
Creio ser mais uma despedida.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
A Explosão
domingo, 23 de janeiro de 2011
Dysangelium
domingo, 7 de novembro de 2010
Arch Enemy: "Dead Bury Their Dead"
Scars are healing - I am set free
The chains of guilt are in the past
They no longer have a hold on me
Dead bury their dead
I walk through Elysian Fields
The light is shining on me
Dead bury their dead
Time marches on...
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Resoluções Sagradas II.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Resoluções Sagradas.
[Luis Miguel: "Nos Hizo Falta Tiempo"]
Passou, não é? Ou não? De verdade, eu francamente não sei. Hoje seria o dia de saber se ela ainda me faz tremer, mas algo me fez evitar tal encontro, que, talvez, sequer viesse a ocorrer. Seria medo? Quem sabe? Apesar da carranca que carrego, às vezes me permito um voto de confiança aos traços de humanidade que existem em mim.
[Einstürzende Neubauten: "Haus der Lüge"]
Mas analisando friamente (Carranca - leitor. Leitor - carranca. Apresentações feitas, retornemos), vejo que não, não é medo. É algo relacionado à sacralização. O que tenho, dentro de mim, por ela, é e sempre foi algo tão bonito! "Rebaixá-la" à condição de ser humano, igual a qualquer outra, provavelmente faria com que as estrelas que iluminam aqueles olhos por detrás daqueles óculos que eu adoro se tornassem foscas. Levaria aquele sorriso a tomar traços de modelo anoréxica modificada em Photoshop. Transformaria aquele abraço que sempre me deixou sem palavras em mais uma burocracia de amigos. E isso, assumo, me assusta. Muito.
[The Mission UK: "Severina"]
Em minha preocupação pela forma de minhas produções textuais, me vejo na necessidade de descrevê-la. Talvez, algum dia, eu trate esse meu TOC literário. Pois bem: Uma suave voz de contralto; mãos pequenas; uma timidez que esconde idéias envolventemente encantadoras, de alguém que largou a segurança da profissão rentável pelo amor à educação; as tatuagens mais únicas... E se eu não me editar, este parágrafo facilmente ultrapassará o limite de linhas contido em tua paciência, prezado leitor.
[The Cure: "Cut Here"]
O fato é que ela está desfilando bela e formosa no campo das idéias. No campo da saudade que, a despeito de incontáveis mensagens, não creio que há de se desfazer, por ser igualmente bela. Existe uma "saudade Romântica". E, haja protestos ou o bom e velho "arrependa-se somente do que você tentou", eu ainda considero muito mais proveitoso o deleite dos pensamentos e das lembranças. Não quero vê-la. Não quero atualizar minhas memórias para algo que, talvez, possa não me encantar tanto quanto aquela camiseta laranja de dois anos antes...
[Joy Division: "Decades"]
E assim é. Este sou eu, despido de pudores e valores, me permitindo o direito à ilusão e ao entorpecimento, que tantas vezes são muito mais belos que a realidade.
[Spice Girls: "Spice Up Your Life"]
domingo, 28 de março de 2010
Gentrificação da Essência Artístico-Sentimental
A trajetória poética de Oiticica desloca-se da fatura impecável, quase asséptica, de sua produção inicial, marcada pelo "construtivismo" internacional, para um "construtivismo favelar". Essa chegada ao Brasil pela via universalista da invenção formal "concreta" e "neoconcreta" consuma-se como o escultor Jackson Ribeiro o leva ao Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. "Tudo começou com a formulação do Parangolé em 1964, com toda a minha experiência com o samba, com a descoberta dos morros, da arquitetura orgânica das favelas cariocas (e consequentemente outras, como as palafitas do Amazonas) e principalmente das construções espontâneas, anônimas, nos grandes centros urbanos - a arte das ruas, das coisas inacabadas, dos terrenos baldios etc. Parangolé foi o início, a semente, se bem que ainda num plano de idéias universalista (volta ao mito, incorporação sensorial etc.), da conceituação da Nova Objetividade e da Tropicália."
Curadoria
Construtivismo favelar? Arte das ruas? Terrenos baldios? Todos esses termos me remetem às camadas menos abastadas da população, quando penso em Brasil. Quando ouço nomes como Billie Holiday e Nina Simone nas rodas intelectuais regadas pelos melhores vinhos e mais belos cartões de crédito e talões de cheques, me indago sobre a incoerência desta relação. Incoerência? Não compreendeste de qual relação falo? Ou em que consiste tal incoerência? Pois bem...
[Agnostic Front: "Victim in Pain"]
Seria o destino da arte uma espécie de "desvio de carga"? Porque vejo com grande pesar a forma bizarra com a qual representações artísticas oriundas das favelas (não espera tu terminologias politicamente corretas; não lerás aqui "comunidades humildes" ou quaisquer outras formas de hipocrisia, salvo em forma de ironia) e dos marginais (indivíduos à margem da sociedade, geralmente execrados como escória) adentram os meios drapejados de diamantes (pedras preciosas de alto valor financeiro, geralmente conseguidas às custas do trabalho semi-escravo em Serra Leoa, por exemplo), e, por consegüinte, se descaracterizam.
[The Clash: "London Calling"]
"Mas esse rapaz só pode ser um extremista fundamentalista ou um retrógrado conservador, fechado em seu mundo de arte marginal." - Será?
[Type O Negative: "Halloween In Heaven"]
Não me refiro à hermetização da arte, mas à tristeza existente em sua gentrificação¹. A arte de Hélio Oiticica, por exemplo, é claramente inspirada na realidade dos morros cariocas e ambientada na pobreza; e hoje, passados trinta anos de sua morte, encontra-se envolvida por uma aura que, definitivamente, não reflete a favela. Mas a questão é: quantos moradores do Morro da Mangueira admiram este seu ilustre & falecido admirador? Ou de tantos outros "Morros da Mangueira" espalhados por este país? - Quantos dos que conversam em bares caríssimos sobre a genialidade de Billie Holiday ou a beleza inebriante da voz de Nina Simone sabem do que se trata a tristeza inerente em suas interpretações? Quantos possuem na memória as marcas semelhantes às que deram origem a tais obras irrepreensíveis, como "Strange Fruit", de Simone?
[Rudi: "Taivas Saa Odottaa"]
[Paul Cantelon: "Sunflowers"]
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